Meu Nego

Micro, o meu gato de 15 anos morreu ontem atacado por dois cães grandes. Velhinho, ele andava distraído dos perigos que sempre escapou. Um gato livre que viveu 15 anos é uma raridade.
O nome Micro veio do tamanho que ele chegou na casa de uma amiga - desmamado cedo, era tão pequenininho que cabia na palma da mão, um micro-gato.
Ele cresceu e se transformou numa pantera negra em miniatura - micro-pantera, e era o gato que me acompanhava em tudo, dos rituais mágicos, onde se ocultava sempre sobre minha capa à escrita da tese. Micro colocava ordem entre os outros gatos da casa, e impedia que gatos estranhos se aproximassem do seu espaço. Sempre me senti mais dele do que ele meu.
Ele e eu amávamos também uma outra gata Artemísia que também morreu na boca de um cachorro. Os dois juntos me deram tantas e tantas alegrias e momentos preciosos que se tornaram parte de mim, e foi ao lado dela que ele foi enterrado, na chácara em que vivi alguns dos melhores anos da minha vida.
Junto deles, ficou mais um pedaço do meu coração, a gratidão pelo amor e o cuidado que sempre tiveram comigo e meu amor por terem me escolhido para viver com eles.